INSTITUTO
ESTADUAL RIO BRANCO
HISTÓRIA I
ISLAMISMO
1 – A Arábia Pré-islâmica
A península Arábica está situada no Oriente Médio, limitada a oeste pelo Mar Vermelho, o oceano Índico ao Sul e o golfo Pérsico a leste, sendo ligado ao continente pelo deserto, que cobre maior parte do território. O clima é extremamente seco, apresentando oscilações térmicas na faixa litorânea de temperatura mais amena e de deserto no interior mais quente durante o dia e a noite mais fria. Ao centro e a oeste encontram-se numerosos oásis = que tem água que possibilita a prática da agricultura e da pecuária de subsistência.
A Arábia antes do islamismo era habitada por povos de origem semita e encontravam-se divididas em numerosas tribos ou grupos étnicos como os Banu-Kalb, os Banu-Ghassan, os Tanukh, os Tayyi, os Kinda, os Himyar, entre outros. Os árabes do deserto, conhecidos genericamente como beduínos eram nômades com características culturais bem diversas dos árabes do sul e do litoral. Atualmente se divide a península em sete países como a Arábia Saudita, Kuwait, Barein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmem.
As dificuldades de sobrevivência nos oásis cercados por extensos desertos, apesar da agricultura e pecuária levaram-nos às atividades de comércio de longo curso com as caravanas deslocando-se por toda península e até fora dela comercializando com o Império Bizantino e Persa Sassânidas. Nas épocas de más colheitas ou pouca produção utilizavam-se das razzias, que eram lutas, guerras rápidas no deserto entre tribos vizinhas ou a pilhagem= ghazu com o objetivo de conquistar alimentos ou outros bens de tribos inimigas.
A costa do litoral a sudoeste, também chamada de Yemmen= arábia feliz, tinha as principais cidades como Meca e Yatreb onde existiam comércio forte e produção manufatureira. Apesar disso, nesta fase não existia um governo centralizado entre as tribos. Também do ponto de vista religioso, os árabes diziam-se ser descendentes de Abraão porém adoravam várias divindades e deuses inferiores chamados de djins, através de imagens, totens onde cada tribo possuía seus próprios ídolos.
O Santuário de Meca
Até o início do século VII, os árabes do sul adoravam deuses e deusas que personificavam os planetas. Para cada ente sagrado consagravam-se templos e santuários controlados por sacerdotes. Meca possuía o santuário da Caaba, local de peregrinação que abrigava a Pedra Negra que é um meteorito e mais de 300 divindades de toda a Arábia.
O Surgimento de Maomé
Meca não possuía organização ou um governo centralizado, a tribo da clã dos Quraish ou coraixitas controlava a cidade em especial o comércio. A família de Maomé pertencia ao ramo pobre da tribo dos coraixitas a dos haxemitas nascido em 29 de agosto de 570, Muhammad perdeu seu pai que morrera pouco antes de seu nascimento. Foi criado por seu avô e desde cedo integrava as caravanas que iam para Jerusalém, Damasco entre outras cidades, o que lhe colocou em contato com o judaísmo e cristianismo. Impressionada com a fama comercial de Maomé, que nesta época era chamado de al-Amim = “homem honesto”, Kadidja, com 40 anos propôs casamento a Muhammad, cerca de 15 anos mais novo. Juntos tiveram 7 filhos, mas só as meninas sobreviveram, entre elas Fátima futura esposa de Ali Ibn Abu Talib um dos primeiros califas.
A Grande Revelação
Muhammad tinha o hábito de fazer retiros espirituais ou khalwa nos arredores de Meca. Ele apreciava praticá-los em uma gruta chamada de Hira, situada em uma colina. Em 611, durante um desses retiros, o arcanjo Gabriel se revelou a ele. O arcanjo solicitou que Muhammad lesse os sinais árabes bordados em um longo pergaminho de seda. “Mas eu não sei ler”, respondeu, envergonhado. “Leia”, insistiu o arcanjo. “Mas não aprendi a ler”. Gabriel então pediu mais uma vez para Muhammad repitir: “Leia em nome do Teu Senhor” e assim começou as revelações da nova religião.
Nos primeiros três anos pregou a nova fé entre seus parentes e tribos vizinhas. Ao realizar discursos e pregações em frente a Caaba, pregando a destruição dos ídolos e afirmando a existência de um só deus, Alá ocasionou protestos e resistências. As mudanças religiosas propostas entram em choque com os líderes coraixitas que tentaram matá-lo. Maomé fugiu para de Meca para Yatrib, ficando conhecida este fato como Hégira= hijra ou exílio, fuga emigração em árabe, que marca o início do calendário muçulmano ou muslim=submisso a deus. Jihad X Guerra Santa: uma distorção histórica do sentido original
Apesar de não conter no seu núcleo semântico a noção de “guerra”, a palavra árabe jihad é quase sempre traduzida como “a guerra santa contra os infiéis não seguidores do islã”. Assim no período inicial e original do islamismo, a palavra jihad era empregada com a idéia de “esforço individual ou coletivo de conhecimento e aceitação do islã. Através da oração e culto a Allah, o converso ao islã deveria preparar seu corpo e mente para viver em harmonia com os valores muçulmanos da comunidade em que vivesse. Já o “jihad-esforço” coletivo de propagação do Islã e de realização social ocorreria de duas formas; o discurso e a ação social. Neste sentido, as populações não convertidas deveria-se fazer um esforço para convencê-las pela doutrinação,
pelos acordos diplomáticos e em último caso pela força das armas que teria sentido muito mais de defesa do que ataque. Porém, a partir do século XII, as Cruzadas, a Guerra Santa Católica dominariam o cenário histórico sangrento e o caráter da palavra jihad ganhou o sentido que
tem uso hoje pelos ocidentais.
A morte do Profeta
O profeta conseguiu vitória militares importantes contra os coraixitas que foram derrotados definitivamente em março de 627 na batalha de Khandaq. Segundo o cronista do século IX, Tabari que escreveu sobre as façanhas bélicas de Maomé, foram necessários 10 anos de
intensas batalhas para dominar toda a península Arábica. No oitavo ano da Hégira em 630, Maomé com o apoio de 10 mil soldados conseguiu tomar Meca. Em março de 632, com 63 anos, Maomé adoeceu e foi enterrado em Medina, antiga Yatreb, que recebeu o novo nome, cujo significado é a “cidade do profeta”. A crise de continuidade após sua morte, pois Maomé só tinha uma filha Fátima acabou assumindo o trono como o califa= ou sucessor Abu Bakr marcando o fim do Islã Profeta e o início do Islã Histórico com os 4 califas perfeitos.
Cronologia
632 – morte de Maomé
632 a 634 - Califa Abu Bakr – Conquista do Iraque, Síria e Egito
634 a 641 – Califado de Omar – Conquista de Jerusalém em 638.
641 a 656 – Omar é assassinado. Califado de Uthmar
656 a 661 – Uthmar é assassinado e Ali torna-se califa iniciando-se conflito entre sunitas
seguidores do Califado Omíada e xiitas seguidores de Ali.
711 – muçulmanos ocupam península Ibérica.
714 – ocupação de Lisboa até 1147.
732 – Batalha de Poitiers na França onde cristãos barram avanço muçulmano para o norte.
3º Avaliação dos 1ºos Anos/2008 - turmas 109, 110 e 111.
Após a leitura do texto responda as seguintes questões. Poderá ser utilizado nosso livro no capítulo 18
1 - As caravanas comerciais exerceram importante papel na formação da sociedade árabe. Em termos religiosos, que importância elas tiveram?
2 - Em que aspectos a religião criada por Maomé se diferenciava das antigas crenças dos árabes?
3 - Qual a importância da jihad no porcesso de ampliação e na expansão islâmica no mundo medieval?
4 - Explique a frase: "por meio da religião, Maomé criou um sentimento de identidade entre os árabes, fazendo surgir um Estado árabe-muçulmano"?
5 - Escreva um texto sobre o legado deixado pelos muçulmanos nas várias áreas do conhecimento humano.