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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ORIGENS DA LÍNGUA PORTUGUESA

Há uma grande dificuldade para a boa escrita da nossa língua. Aliás não escolhemos ela, já nascemos e acabamos falando a língua do nosso local de nascimento ou de nossos pais. Segundo a antropologia e a epistemologia, qualquer pessoa pode falar outras línguas, a questão é o processo de aprendizagem que é mais fácil quando criança, embora também  seja possível aprender mais tarde na fase adulta.
A grande dificuldade do aprendizado de qualquer língua é a prática, a fala e a escrita quotidiana frente a língua considerada culta ou "correta". Na verdade alguns teóricos afirmam que a correção linguística está associada ao meio social e cultural do falante ou escritor. A linguagem define classe social, nível de leitura e conhecimento, portanto é ela um dos meios e mecanismo de seleção no mercado de trabalho, de compreensão do mundo e do poder.
No caso do Português e do Inglês infelizmente a maioria dos professores centram sua didática nas regras gramaticais ao invés de estimular a escrita, a leitura e a fala. Por exemplo, é raro algum professor pedir aos alunos estudarem um assunto e depois falar sobre ele, a oratória também perdeu-se no processo de ensino, na Grécia e em Roma era parte da educação saber falar em público. É comum exigir do aluno, quando muito fazer uma redação mas em geral, a maior parte das aulas é sobre regras gramaticais. É como ensinar história a partir das datas sem apresentar os fatos e o processo histórico. Assim, durante todo meu processo escolar foram raros os professores de português que estimularam a leitura e a prática da linguagem em sala de aula. O domínio da grafia, dos sinais de pontuação é adquirido não decorando regras mas executando erros e acertos.
Outra dificuldade é que depois de 1972, no Brasil ocorreu uma Reforma Escolar que eliminou-se o Latim das escolas que é a língua base do português, mas não só dele como do italiano, do francês, do espanhol. Por essa razão, antigamente era comum as pessoas falarem mais de uma ou duas línguas justamente pelo estudo do latim, sem contar que facilitava a compreensão do nome dos elementos químicos da tabela periódica, como por exemplo na tabela abaixo.       
ElementoSímboloNome em Latim
AntimônioSbStibium
CobreCuCuprum
OuroAuAurum
FerroFeFerrum
ChumboPbPlumbum
MercúrioHgHydragyrum
PotássioKKalium
PrataAgArgentum
SódioNaNatrium
EstanhoSnStannum
TungstênioWWolfram
Assim, Cu não é palavrão mas sim o simbolo do Cuprum ou cobre.
Longe de exigir a volta do Latim, a questão é conhecermos um pouco mais das origens de nossa língua e compreendermos melhor a existência do tal Ç com som de S e uma série de características que tem suas origens no início da formação da língua portuguesa e as demais culturas que influenciaram nossa língua como as palavras de origem árabe, sueva e visigótica.
Aprender nossa língua de forma eficaz seria através do teatro, da expressão escrita e falada, com muita prática onde a teoria torna-se mais fácil e com sentido. A grande vantagem de nossa língua é a possibilidade de usar palavras diferentes para expressar a mesma ideia, embora sempre seja necessário recorrer-se ao contexto da fala ou da escrita para percebermos o real sentido. Como por exemplo, podemos dizer:
Joãozinho está enfezado. Dependendo do contexto pode ser que ele esteja raivoso, bravo, brabo ou ainda com a barriga cheia de fezes. 
Bem, o texto a seguir em pdf foi retirado do livro Nova Gramática do Português Contemporâneo dos autores Celso Cunha e Lindley Cintra, é um pequeno fragmento para um trabalho de pesquisa dos alunos do 7º ano - alguém vai dizer que é muita massa para a piazada, mas nada que não seja deglutido por esforço de leitura, contribuições do professor e do apoio de dicionários.
Boa leitura e pesquisa.

sábado, 25 de abril de 2015

TREM DE PASSAGEIRO NO BRASIL?

Sim no Brasil ainda tem trem de passageiros.

  Depois de quase liquidar com o transporte ferroviário tendo como prioridade o modal rodoviário, o Brasil desperta para a necessidade de ampliar suas possibilidades com o conforto e a segurança dos trens de passageiros.
Foi preciso muita gente perder suas vidas ou ferir-se em acidentes terríveis nas nossas estradas pela falta de conhecimento, ignorância e má fé de uma elite dirigente comprometida com o capital da industria automobilística que tornou uma política pública que favoreceu o meio rodoviário.
Não fazia sentido instalar as montadoras de veículos sem ter-se estradas e consumidores garantidos. 
Por muito tempo, ter carro não era para todos, somente a classe média alta podia dar-se ao luxo.
Na década de 70, com a crise do petróleo de 1973, no auge da ditadura militar, os V8 deixaram de roncar. A industria "brasileira" passou a produzir veículos mais acessíveis e ocorreu uma certa popularização do carro de família. 
Quem não passou pelo aperto de um fusca indo pro final de semana à praia? 
A tentativa de criar novas alternativas a crise do petróleo levou ao projeto do Pro-álcool com os motores a etanol que deu uma boa perspectiva para os carros nacionais. Enquanto isso a RFFSA agonizava. Muitas das estradas de ferro foram completamente sucateadas e a negligência surtiu seus efeitos. Por volta de 1986, aqui no Rio Grande do Sul o último trem de passageiros partiu de Porto Alegre a Santa Maria para nunca mais voltar. Lembro-me que fui convidado para esta viagem mas não tinha dinheiro e além disso era "de menor" para ir sozinho com meus amigos de escola.
Depois mais tarde andei pela primeira vez de trem no TRENSURB indo de Porto Alegre a Sapucaia do Sul no Zoológico.
Em 2008 quase andei na ferrovia da Graciosa que liga Curitiba a Antonina descendo e subindo a Serra da Graciosa. Um dos melhores passeios, porém o custo da passagem era fora dos meus padrões de consumo para a época.
Agora em 2015, fiz minha primeira viagem de trem indo de Vitória a Belo Horizonte.
Tal viagem é um dos trechos que ainda mistura turismo e trajeto de trabalho diário de muitas pessoas. 
Operada a linha pela Companhia Vale do Rio Doce que foi uma das maiores empresas estatais do Brasil, ela hoje mantém essa linha em operação mais por "tradição" do que por rentabilidade, haja vista que a linha é na verdade compartilhada com trens de carga em alguns pontos e trechos. Ao viajar percebemos nossas riquezas indo embora sem qualquer beneficiamento.
O trajeto é belíssimo. 
Leve uma boa máquina fotográfica e prepare-se para deleitar-se com a paisagem. 
O interessante é perceber a mudança da vegetação e do relevo ao longo do caminho. 
As cidades e a história aparecem ao longo da viagem.
A velocidade chega ao máximo de 60 km/h e em alguns momentos muito menos, em especial quando vem trem no sentido contrário a linha lateral.
O conforto dos vagões melhorou bastante. Até pouco tempo atrás, havia uma segregação social entre a "classe executiva" e a "classe popular" que nesta não havia ar condicionado.
A viagem poderia ser melhor se as pessoas falassem mais baixo, mas o interessante é também ouvir algumas dessas histórias.
Os contrastes da viagem manifestam-se com a flagrante situação de desmatamento e degradação ambiental em algumas localidades. Também é muito visível a pobreza e contraste urbanísticos.